segunda-feira, 31 de maio de 2010

Da submissão




Pintura por Debret, não sei o título
Como isso pode ter sido - e de certa forma, ainda é - possível? Como um homem pode se julgar dono de outrém? Como? COMO?

Não consigo imaginar-me mantendo esse tipo de relação com ninguém. Nem consigo imaginar eu me sujeitando a qualquer tipo de hierarquia brutal, como as que são vistas nas empresas em geral. Muitas pessoas são felizes (ou tentam fingir que são), enquanto lambem as botas engraxadas de seus patrões.

As vezes parecem duas espécies de seres humanos... os que foram feitos para mandar e os que foram feitos pra obedecer. Moral de escravo, moral de senhor. O que me irrita mais é ver as pessoas submissas aceitarem, ficarem gratas pelas ordens que recebem, pela humilhação a qual são sujeitas.

E são muitas camadas, muitas vítimas tem suas próprias vítimas; aliás a sociedade é uma cadeia alimentar, cada um canibaliza quem estiver embaixo e assim seguimos até o topo da cadeia. Você, que passa por um mendigo e vira para o lado e segue adiante para comprar mais um sapato, mesmo tendo dinheiro para matar a fome dele, tendo uma palavra afável engatilhada na garganta, é culpado. Os miseráveis são as ervas mais ralas de nossa cadeia alimentar.

Eu também sou culpada, eu sei. Eu sei que reclamar não adianta merda nenhuma. Mas eu não sei o que fazer, não sei nem me ajudar, não sei nem manter a calma, será que terei de me convencer que sou pequena para sempre? será que cada um de nós irá continuar a se submeter a essa realidade amarga e confortável?

Primeira postagem parcialmente impessoal

Antes de começar a postagem, agradeço aos meus dois visitantes (dois visitantes em tão pouco tempo, bom sinal. Bianca, gostei de tuas palavras e não me venha com essa de "visitante burra". Rodrigo, espero também aprender com a ansiedade, ou ao menos não me isolar mais ainda. Pretendo trocar o tema do blog: ao invés de falar sobre mim, falarei sobre o que eu penso. Que seja idiota, que seja brilhante... que seja algo que comprove que eu tenho vísceras.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A última postagem pessoal

Meus amados pais decidiram me matricular num pré-vestibular, começa em agosto, eu acho. Ótimo, lá vamos ao drama da prova novamente.

Eu venho prometendo esforços para me ressocializar, pois sou um caso quase perdido de bichodomatisse aguda. Não que eu tenha medo das pessoas, acho que o problema é a forma como elas reagem a mim. Elas parecem sentir certo desconforto, certa aversão ou até asco em conversar comigo

Asco, não. Mas desconforto, com certeza.

Nunca fui uma criança bonitinha, daquelas que ficam sorrindo de orelha a orelha e saltitando. Eu tenho asma. Uma risada brusca podia me render uma crise de asma, então acabei me fechando um pouco. O clima foi outro fator importante. Mas, então, eu tenho uma cara meio séria demais, a voz rouca e uma grande debilidade em diálogo. Tudo isso no alto de 1,78m. Uma jamanta desengonçada.

Hoje em dia, minha asma está relativamente estável. A não ser por um gatilho: ansiedade. Foi isso que aconteceu no ano  passado: -- Tive uma crise na hora da prova.



sábado, 22 de maio de 2010

Ânsia

Isso é para ser uma terapia, um momento comigo mesma, mesmo que eu já tenha tantos momentos comigo mesma. Acho que me cansei de mim, de tudo. Até dessas unhas cor vermelho-descascado. De tudo.

Eu sou um tipo de fantasma, na real. Se quiser me conhecer, as portas de minha vida estarão abertas, ainda que levem para um quarto tão desinteressante. Aqui, poderão encontrar todas as pílulas que precisarem: de carneirinhos, azul ou vermelha.

Um tipo de fantasma, errando por aí. As pessoas são difíceis. Mas são lindas.

Até mais,